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Eu tento, mas meu tento não consegue!

E pior do que não conseguir é nunca ter tentado... Bem vindo! Faça de conta que está em casa :)!

Eu tento, mas meu tento não consegue!

E pior do que não conseguir é nunca ter tentado... Bem vindo! Faça de conta que está em casa :)!

Bolor à vista

Para mim é muito importante certos direitos que tenho e outros que foram adquiridos, não por mim mas outros valorosos ao longos dos tempos, que certamente estarão a dar umas tantas votas em seus túmulos.

Aprendi que a minha liberdade termina quando começa a do outro, mas parece-me que muitas vezes existe uma séria, senão mesmo extrema, dificuldade em visualizar essa ténue linha.

 

Ultimamente andam por aí alguma ideias a tentarem passar essa linha. Alguém (que após escrever o nome vou lavar os dedos) desta nova ninhada laranja anda com a mania dos referendos, diria mesmo que se trata de uma obsessão! O Laranjinha Hugo Soares referiu numa entrevista que "todos os direitos podem ser referendados!". Descontextualizada ou não, parece-me óbvio que essa frase não fica bem em contexto algum!!

 

Agora imaginem-se a referendar a educação, a cultura, a saúde,... se bem que pensando bem, nem todos temos direito a uma educação igual, direito e acesso à cultura, e muito menos a cuidados de saúde de forma igualitária .

 

 

Ultimamente acordo com pesadelos e imagino que esta nova ninhada PSD irá sentar-se nas cadeiras do Governo... Sim. Mais cedo ou mais tarde os tipos "iluminados" irão lá parar.... E se eu acho estas laranjas já com bolor como estarão daqui a uns anos?

 

 

A próxima palavra mais procurada

 

Imagem retirada daqui

 

 

Ao que parece a próxima palavra mais procurada na Google, será praxe.

 

A praxe está na ordem do dia. Para onde quer que me vire só vejo, e leio, coisas sobre a praxe. O Dux, e as Comissões de Praxe... E tal como O Jorge Soares do Blogue "O que é o Jantar?", também eu nunca tinha ouvido falar de Dux e da seita que ele parece representar, desculpem-me os defensores da praxe mas é isso que toda esta envolvência faz lembrar!

 

Ontem, no resumo da semana na TSF do "Tubo de Ensaio" de Bruno Nogueira, este dizia que os praxantes não deveriam estar de traje académico, mas sim com vestimenta cor de laranja florescente para ser visível à distância pela Polícia Marítima e helicópteros. Além disso, referiu que a praxe nada mais é que Bullying encapotado. Ora e é essa parte que me chamou a atenção.

 

Bullying - e a definição deste assenta que nem uma luva na maioria das praxes que tenho visto, quer enquanto andei na Universidade, quer à posteriori.

 

Pessoas da minha turma foram obrigadas a andar de cuecas a contar a distância da entrada da Escola com um Fósforo! Um professor que entrou insurgiu-se contra isso e o meu colega consegui vestir-se.

 

Andar de joelhos, a rastejar, ouvir berros e ordens proferidas aos gritos foram coisas que vi. Com as raparigas, por norma, eram mais brandos e eu tinha uma defensora, uma madrinha de curso, que era hábito criar na minha Escola, um bom hábito. Essa madrinha além ajudar futuramente o afilhado(a), detinha sobre ele(a) "poder". A praxe, no espaço físico da Escola, só era autorizada no primeiro dia, e nesse dia era realizado o batizado do caloiro com os tais padrinhos de curso. O que eu mais achei interessante em tudo e que realmente poderia favorecer certa a integração e um exemplo a seguir se bem usado. Mas, se eu precisei de ser protegida era porque havia algo contra o qual era necessário proteger-me. Estou errada?

 

E eu senti necessidade dessa proteção. Apesar de ter dito não a muitas coisas, senti a necessidade dessa proteção, não posso mentir.

Existiram coisas engraçadas? Claro que sim. Mas evitavam-se a grande maioria delas que me ficaram na memória.

E posso dizer que na altura em que a minha turma praxou não me lembro de nada positivo sem ser o Batismo do Caloiro! Nessa altura, já com alguma voz, insurgi-me com veemência contra aquela praxe. O que foi feito? Eu fui colocada fora da sala! Mas a minha afilhada foi comigo, disso não abdiquei. Deveria ter acusado os meus colegas? Acho que teria sido o mais acertado. Mas infelizmente não o fiz...

 

Numa Escola nova, um primeiro dia de aulas, praxes que dizem estar instituídas, a maior parte inseguros, receosos da não aceitação,... é fácil cair nas malhas de uma praxe abusiva. Não digam que não. Não me digam que  quem recusa não é, muitas vezes, e na maioria dos casos,  muito pressionado? E até repetidas vezes e muitas vezes fisicamente?

E se, acaso recuse ser ser praxado, fica logo marcado e excluído! E alguns dizem "quero lá saber"! Mas para muitos essa exclusão sai cara e depende muito dos Politécnicos e Universidades em que estão inseridos e dos sociopatas que apanham pela frente. Sim. Sociopatas!!

 

 

Se é Bullying?

Claro que é! Irra! Uns marmanjões a gritarem ordens feitos loucos é o quê?

Integração?

Contem-me outra.

 

Há praxes engraçadas?

Talvez. Lá, não sei onde. E no meio de tanta treta contam-se pelos dedos, de UMA mão, as coisas engraçadas que se fazem.

 

 

Ah! E agora tentem lá parar o trânsito para uma manifestação a ver como doem. Mas se estiverem a guiar uma "manada" de caloiros já não há

qualquer problema! Isso faz sentido?

 

Não me vou pronunciar sobre o caso do Meco, que fez saltar a palavra praxe novamente para as nossas bocas. Não sei o que se passou. Mas seja o que for poderá servir para que este assunto seja discutido como deve ser.

 

E tal como já disse algures, tenho curiosidade de como serão as praxes em outros países. Talvez isto dê um estudo que indique algo sobre o nosso povo...

 

Eu obedeço a ordens gritadas por ti, pessoa com traje especial.

Tu deténs o poder!

Eu obedeço porque sei que se estivesse no teu lugar e quando estiver provavelmente farei o mesmo.

Eu também os farei obedecer!

 

 

 

Como afastar a má onda?

Há dias, e fases, em que nos sentimos com falta de energia, tristes, cansados, maçados,... olhamos para tudo com desânimo e parece que vimos tudo cinzento. 

 

Mas há sempre um outro olhar e sempre algo que nos possa fazer bem. Há quem saia para as compras, o que nesta época de crise se torna complicado. Há quem prefira o sossego de uma mantinha no sofá e um filme comédia-romance. Ainda há os mais agitados que preferem esquecer tudo no exercício e esfalfam-se como se não houvesse amanhã, cansam o corpo e distraem a mente.

 

Comigo resulta muito bem, digamos que é o melhor remédio para os meus males, um abraçinho e um beijinho e quanto mais sentidos melhor!

 

E agora, digam-me lá se um beijo assim não vos faria afastar todas as nuvens cinzentas do caminho e soprá-las com ventos fortes?

 

 

 

 

 

 

 

Foto de Abdullah Sholeh e o seu amigo de 180 kg (leram bem) Mulan Jamilah. Foto retirada da net e notícia aqui

 

 

 

 

 

Relato II, esperando ser o último...

 

Esta é a segunda fase dos meus relatos das experiências passadas com meus pais. Deixei este para último porque é o mais difícil de escrever e o mais difícil de recordar, já que não é só uma recordação mas algo que ainda sobrevive ao dia-a-dia.

 

Em  agosto de 2012, e depois de muitas peripécias que qualquer dia contarei, foi diagnosticado ao meu pai, nos Hospitais de Coimbra, uma Demência de Corpos de Lewy, que qualquer pesquisa simples na net vos elucidará do que se trata. Menos frequente que o Alzheimer e com progressão mais rápida e igualmente difícil, quer para o portador da doença quer para os seus familiares. E chega a um ponto que sobretudo para os seus familiares.

 

Podem dizer-me "Faço ideia do que estás a passar". Eu respondo a esta frase, não. Não fazem a mínima ideia do que é ver o nosso pai (neste caso) ser portador de uma demência. Do que é vê-lo a não ser ele, do que é vê-lo a ir-se e o seu corpo ainda estar presente. Dói mais do que a morte. Porque é uma morte lenta e insidiosa. Leva-o todos os dias. Tira cada dia um pouco e cada dia o leva para mais longe. Não é ele que está ali...

 

Alguém me dizia aqui há uns tempos. Não digas isso, ainda o podes abraçar. É verdade. Ainda o posso abraçar, ainda tolera os abraços que nunca me deu e agora dá, porque agora não tem o travão mental de não demonstrar carinho. Ainda tolera abraços porque ainda me conhece, ainda não está agressivo. Mas que preço tem este abraço? Um preço que não vale a pena pagar... Estarei a ser crua ou realista de mais? Vejo as coisas de dentro e não de fora. Tão simples quanto isso.

 

Este tipo de Demência está associada a sintomas Parkinsónicos. Ambas as doenças são de cariz neurológico e associadas a geriatria mas como exibem alterações de comportamento levam a um internamento na psiquiatria. Se tem ou não lógica não sei. O certo é que o serviço de neurologia não está preparado para receber estes doentes e não existe outro serviço adequado para pessoas que necessitam de uma vigilância constante, quer pelo seu sentido de orientação alterado, quer pela sua parte cognitiva já com muitas falhas. E é deste serviço, da psiquiatria de um Hospital em Trás-os-Montes, um grande Hospital considerado de "qualidade", onde o meu pai esteve internado que vou falar o que muitos calam. Calam por vergonha de dizer que estiveram lá internados, por vergonha de ter tido um familiar lá internado, por pruridos de uma sociedade hipócrita e mesquinha.

 

Ao entrar naquele serviço parece que recuamos no tempo. Depois de questionar algumas pessoas, nomeadamente profissionais de saúde que trabalham em outros locais e nesta área, pude constatar que felizmente não é frequente a existência de locais que funcionam como aquele serviço em particular, género psiquiatria de há um século atrás. Ali as mulheres e homens estão no mesmo espaço físico, à noite estão em dormitórios separados mas de dia não. Outra particularidade é que os doentes durante o dia não têm acesso à sua enfermaria, o que dificulta o acesso aos seus pertences, como roupa e produtos de higiene. Ali não se lava os dentes a menos que se ande com a escova e pasta à tiracolo. Não se tem roupa própria, porque nem sei se existe onde a guardar, já que não vi as enfermarias, e me disseram para não levar a roupa dele. Disseram que tinham pijamas no serviço e fatos de treino e tudo o que fosse preciso. Ok...

 

O que se vislumbra são pijamas a cair pelas pernas abaixo dos utentes, e se há os que conseguem ir puxando a roupa atempadamente, há os que, por força da lentidão produzida pela medicação não o conseguem fazer, portanto estão a ver o aspecto que dá pessoas com as calças a cair e com ar de que não estão bem neste mundo?

Além disso, todas as patologias também estão juntas, é tudo ao molhe e fé em Deus. Quem é internado por uma depressão sai dali mais deprimido, isso é certo. Terapeuticamente controlado, mas mais deprimido. Como não se podem deitar, porque as enfermarias estão fechadas se bem se lembram, e a medicação dá pedrada vemos pessoas deitadas pelos cadeirões num desconforto que dá dó. O ar andrajoso que transmitem é gritante. Cheguei a ver um senhor no chão do corredor a bater com a cabeça na parede e ali esteve um bom bocado.

 

A única casa de banho que serve todos os utentes tem o papel higiénico fora da proteção, exigida num estabelecimento público, que estava ausente e pelo que constatei há muito partida. A figura em que estava o papel higiénico, que andava nas mãos de todos, estava indescritível! O aspecto físico degradante do serviço era notório! E era notório que era um serviço esquecido há muito pela administração do Hospital que sabe que doentes psiquiátricos não se queixam e se o fazem ninguém lhes dá crédito. Triste, mas a pura realidade. E triste que a própria sociedade também parece forçar a esse esquecimento. Pois bem, ninguém está livre, isso assusta não é? Não fujam porque o que têm medo ainda vos pega!

 

Num dos dias quem que visitei meu pai ele estava vestido com um roupão que tenho a sensação que nem o meu cão se deitaria ali! Aliás, tenho a sensação quem nem um cão de rua se aproximaria daquilo! Se o roupão lhe tirou o frio e providenciou o conforto necessário? Acho que sim. Mas e a dignidade humana? Mesmo sujeita a perder um roupão vesti-o com outra coisa que não aquilo! Soube depois que outros doentes se encarregavam de ajudar o meu pai a não perder o acessório.

 

E agora o que mais me custou. Estive uns dias sem realizar a visita. Habito longe e tive que trabalhar. Quando fui lá constatei o que a minha prima me dizia pelo telefone. O seu estado era deplorável! Ele necessita de ajuda para realizar as actividades mais básicas como o cuidar da sua higiene. Fá-lo, mas precisa de ajuda. Precisa de ajuda até para lavar a cara e escovar os dentes. Que se lhe diga "agora lave a cara", e ele lava. "Agora escove os dentes". Embora tenhamos que colocar a pasta e dizer quando bochechar e cuspir fora. A cara dele não era lavada há séculos!!! Estava cheia de crostas, unhas sujas, dentes cheios de comida,... a descrição pode estar a ser nojenta, mas foi com esse aspecto mal cuidado que o encontrei!

 

No dia da alta para o vestir mandaram-nos para a tal casa de banho usada por todos os utentes (foi aí que eu vi o estado da coisa) para vestir um senhor de idade, com dificuldades motoras, que não tinha onde se sentar para se vestir e que tinha dificuldade em estar de pé. E nem que não tivesse! Felizmente levava companhia para nos ajudar. Penoso... custava ter-nos levado a uma enfermaria? A um lugar mais aprazível do que aquele?

 

Trabalhar ali não deve ser fácil. Num serviço rejeitado e com rejeitados pela sociedade. É o que vi. Se há bons e maus profissionais, claro! Como em todo o lado. Não me esqueço, no entanto, de uma situação em específico numa das minha deslocações para a visita. Não esqueço da cara da besta, desculpem o termo, mas não tenho outro melhor e que descreva tão bem a energúmena, que ao me abrir a porta do serviço sempre fechado à chave, se apercebe que o meu pai está atrás dela, e ela não sabia que aquele era o significado da minha presença, se vira para ele com ar agressivo e diz "Chegue para lá quero abrir a porta!" depois olha para as suas calças pingadas de sopa, que faz notar a sua falta de destreza, e diz com ar arrogante "Olhe para aí todo sujo e pingado! Que vergonha!". Não vou dizer o que me apeteceu fazer àquela não-pessoa, que fez meu pai olhar com ar confuso para as calças e ansioso para mim. O que fiz foi entrar, passando pela cavalgadura, segurar o meu pai e levá-lo até à entrada da casa de banho de onde tirei um papel e lhe limpei as calças. Podem imaginar o ar com que a peça ficou ao ver que era por "aquele" a razão que eu estava ali.  

 

Ele detestava estar ali e eu detestava que ele ali estivesse. Dizia que o tratavam mal, mas não conseguia explicar as situações.

Espero não voltar a precisar daquele serviço mas sei que poderei vir a precisar... O que fazer? Escrever? Falar? Não sei. As minhas energias não dão para todas as lutas.

 

Neste momento tenho que lidar com o meu pai institucionalizado, e que não sabe que é ali que vai ficar... Que pensa que um dia irá voltar à sua casa que fez com as suas mãos. Como lhe explicar o que ele não entende? Como lhe dizer que ali é onde ele está melhor? Ali tem a vigilância que precisa, os cuidados que necessita e até o carinho que lhe faz bem. Até agora nisso parece que tivemos sorte... Alguma há que tentar chegar até ele.

 

 

 Imagem retirada da net, obrigada a quem a disponibilizou

Relato de Experiência I

 

Não me recordo se alguma vez estive tanto tempo sem escrever por estes lados. Certo é que a minha cabeça tem andado completamente vazia de ideias, ou cheia de demasiadas coisas, algo que ainda não consegui parar para conseguir decidir....

 

E, ao contrário de muitos, tempo ainda é uma coisa que eu não consigo fazer. Gostava muito de saber onde é que o iluminado da célebre frase "Estou a fazer tempo" foi buscar a ideia de que o tempo se faz.

 

De longe é a minha ideia de fazer deste blogue um diário, ou algo que sirva como muro de lamentações, mas, há sempre uma excepção. E sendo este blogue pertencente à minha humilde pessoa, alturas há em que não consigo separar as águas, e esta é uma dessas alturas. Sosseguem almas, não me vou lamentar, digamos que irei antes ranger os dentes, ladrar, e quem sabe também irei ou não morder.

 

Tal como já disse por aqui os meus dois progenitores tiveram que ser hospitalizados dia 25 de dezembro, tive pois um Natal no ambiente demasiado aquecido e extremamente frio de um Hospital em Trás-os-Montes, penso no entanto que para experiência que irei relatar a localização pouco importará, mas gosto de situar os meus incautos leitores no espaço.

 

Pois bem, são tantas as coisas que me estão no gasganete que achei por bem, e para vosso descanso, e eu preocupo-me com o vosso descanso, dividir esta minha narração em duas partes, já que também se trata de dois progenitores.  Comecemos então pela parte materna.

 

Após uma queda num corredor de casa a minha mãe teve uma fratura subtrocantérica  e mais um palavrão dito demasiado baixo e que não consegui perceber ao ortopedista. Além disso, tinha a cabeça para os dois lados, literalmente. O certo é que necessitava de uma cirurgia com respectivo internamento necessário, iria ficar dependente pelo menos durante 2-3 meses, na melhor das hipóteses, mas depois de estar com ambos os pais no Hospital a melhor das hipóteses era algo que não estava, e ainda não estou, a considerar.  E naqueles primeiros dias que se seguiram a esta novidade tive que vislumbrar alternativas que visassem quer uma boa recuperação, quer o apoio, que me iria ser difícil, para não dizer quase Hercúleo, que a minha mãe necessitaria. A solução encontrada, e após o diálogo com profissionais de saúde, seria o encaminhamento para uma Unidade de Cuidados Continuados de Convalescença por 30 dias (que é o tempo das Unidades de Convalescença). Isso implicaria que ficasse mais uns dias hospitalizada até ter vaga numa referida Unidade da nossa área Geográfica. Seja como for isso permitiu que ficássemos, de certa forma, descansados. No Hospital teria apoio para as suas necessidades diárias e iniciaria a recuperação fisiátrica. Era não era? Pois é...

 

Sempre que a minha progenitora pedia algo era notória a má vontade com que a maior parte das pessoas a brindava na ajuda. Poucas se safavam com um sorriso e solicitude. Nunca foi levada à casa de banho para um banho completo, apesar de ter comentado que precisava- MESMO - de lavar a cabeça, era-lhe colocada uma bacia em cima da mesa davam uma esponjinha e fazia o seu banho parcial na cama que depois seria mudada ao fazerem o levante. No início de um turno da noite uma auxiliar chegou ao cúmulo, e depois de a ter ajudado a sair da cama para se deslocar ao WC, de lhe dizer  "Vou mas é colocar-lhe fralda senão não tarda nada está a chamar-me outra vez! Você está sempre a fazer chichi!" e se melhor o disse mais depressa o fez! Colocou uma fralda que ficou toda encharcada e a deixou cheia de urina. Molhando cama, camisa de dormir e a dignidade. Mais tarde, e já na Unidade, veio a ser confirmada uma infecção urinária, daí a sua vontade em urinar. A falta de pessoal quer de enfermagem, quer auxiliar, era evitente mas o custe o que custar é mesmo isto. Bem, a falta de pessoal e a falta de profissiolismo de alguns... Muitos se esquecem do significado da palavra "cuidar".

 

Um dos médicos da equipa referiu-me que a fisioterapia nestes casos teria que ser feita com muito cuidado já que aquela articulação estava traumatizada e como tal estavam com receio da sua ida para a Unidade, perguntei se a fisioterapia ali, naquele Hospital, teria esses cuidados por ele preferidos, resposta, "Oh, claro que sim! Nós aqui conseguimos controlar isso!". Mais uma vez, pois... ao que parece o fisioterapeuta tinha a sensibilidade de um elefante numa loja de cristais. E fazia exatamente o que o ortopedista tinha dito para não se fazer. Numa das minhas visitas, que dado a distância e o trabalho, não eram tão regulares quanto a vontade, falei com uma médica da equipa e questionando sobre este facto e a ideia com que fiquei foi que a minha mãe estava a mais naquele serviço, a vontade em ajudar não era muita e a ideia era enviá-la para casa pois se ela andasse estava tudo bem. Segue-se que ela tinha, e tem, dificuldade na marcha e eu tinha entendido inicialmente a sua recuperação seria melhor com o apoio da Unidade e fisioterapia adequada. As coisas azedaram de tal forma na minha conversa com uma das médicas que se introduziu à conversa que por pouco não a mandei abaixo de Braga, como se costuma dizer por aqui, não sei o que existirá abaixo de Braga mas espero que seja algo bem nojento. A arrogância da Sr.ª Drª, como frisou que queria que eu lhe dissesse depois de numa frase eu ter dito "Mas ó minha senhora" e ser interrompida como um "Minha senhora não. Senhora Doutora!"!!! Passada que eu estava da mona respondi categórica "Ai sim! Então faça o favor de me tratar por ......" e referi o meu título académico! Fiquei a saber que dizer minha senhora é uma ofensa grave.

 

Felizmente a vaga para a Unidade foi disponibilizada nesse mesmo dia. E nestes 4 dias pode dizer-se que a recuperação e os cuidados prestados naquela Unidade têm sido excelentes. O cuidado e dedicação de todos os profissionais é evidente e estão ali para atingir objectivos, e o objectivo é o bem estar e a máxima independência do utente.

 

Tenho descoberto pessoas, digamos, asquerosas, mas também extraordinárias. Muitas me têm ajudado, dado aquela força que tenho que desencantar naquele cantinho que às vezes parece perdido. Muitas são as pessoas que se disponibilizam para ajudar e que ajudam mesmo. E é para essas que vai o meu carinho, a minha consideração e é para essa que vai o meu apontamento. São essas que ficarão. E é por essas que vale a pena tentar remar mesmo com correntes mais fortes.

 

Obrigada. {#emotions_dlg.redflower}

 

 

Partilhar...

 

O ser humano é feito de partilha. A maior parte de nós sente-se bem a partilhar, embora admita que há certas coisas em seria preferível não se exagerar na generosidade, como por exemplo no mau humor. Mas até esse faz parte da nossa solidariedade para com o próximo.

 

O nosso nível de partilha também é influenciado pela confiança e intimidade que depositamos no próximo. Não é a qualquer um que deixo retirar-me comida do prato, meu filho costuma dizer que esse é um exercício que envolve muita adrenalina.

 

Também não é costume partilharmos a nossa vida íntima com qualquer amigo, e há quem até não o faça de todo. Mas há quem partilhe em demasia tudo, desde o que deve até o que não deve…

 

Por norma partilhamos, de uma forma ou de outra, por atitudes, ou até por omissões, o que desejamos. No entanto, refletindo mais a sério no tema,  existe algo que para ser partilhado envolve sempre um grau de intimidade e confiança no outro muito elevado. Falo do silêncio.

 Não partilhamos o nosso silêncio com qualquer um.

Falo daquele silêncio em que estamos em paz, em que não nos sentimos na obrigação de quebrar o gelo, de dizer algo para que a ausência de som não se torne confrangedora. Aquele silêncio que só conseguimos partilhar com poucos e que saímos sempre mais revigorados depois dessa bela e única partilha. Porque nem sempre só quando falamos dizemos algo de importante, e só quem nos compreende bem é que sabe o que queremos dizer, mesmo o que a nossa boca cala!

 

E tentar essa partilha demora tempo, conhecimento do outro e respeito mútuo.

 

Vida nova

 

Afastada que ando da Blogosfera apesar de ter algumas ideia acumuladas na cabeça, o que me causa um certo incómodo, hoje no quarto dia deste novo ano, ainda fresco, resolvi passar por aqui com algumas dúvidas, questões e reflexões. Há quem lhe dê para isto...

 

Primeira pergunta, quando é que o ano deixa de ser novo e deixa de ser fresco? Em Fevereiro?

Em que dia é que as pessoas por quem passo na rua param de me desejar "Bom ano"?

É que se virmos bem, se eu vir pela primeira vez alguém em Novembro de 2014 ela ainda deve desejar-me bom ano! Afinal ainda faltarão uns dias para ele acabar e eu gostaria que até à última badalada esse desejo se mantivesse. E se se assume esse desejo em Novembro porque é que não se assume já no dia 4; 5; 6 e por aí fora de Janeiro?

 

 Alguém me explica a mania de enfiar pelo bucho as 12 passas às 12 badaladas?

Já percebi que a ideia surgiu de alguém que gosta de passas. Proponho que dê sorte seja o que for que se enfie pela goela.

 

Subir num banco dá sorte?

Depende... se não se cair a seguir pode dar. Se o banco não for muito alto e custar a subir... se... não será melhor entrar no novo ano com os pés bem assentes na terra? Digo eu...

 

Peça de roupa azul às 12 badaladas?

Então não é o verde o da esperança? É que o que me resta para enfrentar este novo ano é a esperança. Esperança que o Cavaco se reforme, esperança que o Coelho se enfie na toca, esperança que o o Portas seja irrevogável, esperança....

 

E agora a célebre frase "Ano novo vida nova"?

Mas que é que se pretende? Que a cada novo ano (em que pesa mais um em cima do lombo) se mude de casa, roupa, se arranje novo companheiro emprego e cidade?

Que se decida mudar a forma como se tem agido? Mas porque adiar essa decisão para um novo ano?

Ah! E já agora, se não se conseguir mudar, o que se quer, até ao final de Janeiro essa decisão é adiada até o dia 31 de Dezembro outra vez?

 

Dúvidas que me assolam neste início de 2014... às quais tento dar uma solução que não encontro

 

 

 

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