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Eu tento, mas meu tento não consegue!

E pior do que não conseguir é nunca ter tentado... Bem vindo! Faça de conta que está em casa :)!

Eu tento, mas meu tento não consegue!

E pior do que não conseguir é nunca ter tentado... Bem vindo! Faça de conta que está em casa :)!

Amanheceu...

A manhã foi-me trazida por um Melro que se julga tenor.

Nos seus cânticos ele dizia que hoje se celebrava o dia da liberdade. Oh! Melro sábio!

 

Sim, ao que parece senhor Melro hoje celebra-se o dia da liberdade, embora, digo-te eu, que isto parece mais uma incelebração. Sabes, agora está muito em moda inventar-se palavras, ao que parece torna-as mais fáceis de aceitar! Por isso, hoje não se celebra, incelebra-se! E porquê?

Porque o sonho de Abril, aquele de há 40 anos, não era só acabar com a ditadura, mas julgo que também era de fazer uma certa "limpeza" política. Livrar-nos de corrupções, aproveitamentos, "factores C", compadrios, e uma série de coisinhas feias e com noves ainda mais feios, alguns até com siglas para se tornarem mais pomposos, coisas modernas.

 

Pois é senhor Melro, afinal parece que parte do sonho de Abril morreu, e a outra parte está moribunda, já que a troco da crise se vai tirando cada vez mais a quem suadamente ganha o seu pão esperando ganhar um pouco mais. Discute-se de quem é o Abril, quem fala e quem não fala, e os únicos que precisam falar e a quem tiram a voz é ao povo!

 

Mas a verdade seja dita o povo não parece querer falar. Além disso o povo é que tem escolhido o seu caminho.

Onde está o povo quando vem a público mais uma extorsão escandalosa?

Onde está o povo quando se constrói estádios de futebol para jogos de moscas?

Onde está o povo quando se vota nas urnas?

Onde está o povo quando se obedece cegamente às cólicas dos mercados?

 

Pois é querido Melro eu também queria tentar saber....

Ffiquemos antes com os teus cânticos que falam de liberdade, de união, de solidariedade, de uma política mais limpa, mas transparente... um sonho portanto.

 

Limitações

 

Não é novidade para quem segue este Blogue há algum tempo que tenho uma dor crónica. Este problema de saúde resultou de uma lesão traumática de dois nervos periféricos, o longo torácico direito e o supra-escapular, dois nomes que me trazem algumas limitações física, além da já referida dor. Não consigo carregar pesos, realizar muitas das tarefas domésticas, não movo o braço direito em todas as amplitudes, não consigo andar muito tempo a pé (devido aos grupos musculares dorso-lombares que começam a contrair e provocam mais dor), tenho falta de força, não consigo estar muito tempo de pé,.... e por aí vai.

 

Quem me conhece e assistiu à minha evolução sabe que tenho atingido gradualmente diversos patamares. Consegui passar de não mexer o braço para o mover de modo a poder realizar inúmeras tarefas. Além disso, o meu aspecto físico melhorou bastante. Consegui uns quilitos a mais e não tenho um fácies contraído e cansado fruto de uma dor que ainda não estava controlada. Mas após alguns tratamentos mais interventivos, além da parte terapêutica, tenho conseguido adaptar-me e ser o que consigo ser e fazer o que também consigo (às vezes até um nadica mais).

 

Consigo trabalhar, apesar de ter uma profissão que requer algumas tarefas que não consigo mesmo realizar, existem sempre muitas outras para as quais posso contribuir com algum valor. Felizmente posso contar com o apoio sempre constante da chefia! Claro está que tive que pedir horário parcial, mas o que interessa é que consigo contribuir para a sociedade! Consigo fazer algo. Agora digam-me, não deveria fazê-lo? Deveria fechar-me em casa a carpir as minhas dificuldades?

 

Hoje li um artigo no Jornal Público (e daí surge esta minha exteriorização do assunto) sobre pessoas que possuem algum tipo de incapacidade e são olhadas de lado, como se não bastasse o número incontável de barreiras com as quais têm que lidar. Posso falar que Portugal não está preparado para este tipo de minorias. E o estranho da questão é que muitas dessas mesmas barreiras começam nos serviços de saúde! Por exemplo, No Centro de Saúde da minha área as portas não possuem abertura automática. Eu não consigo abrir aquelas pesadas portas de vidro! E não é a primeira vez que vejo idosos com o mesmo problema, para não falar de pessoas que andem de muletas ou cadeiras de rodas! Cuja entrada no edifício se revela tarefa Hercúlea!

 

Outras barreiras estão na mente das pessoas. Eu, felizmente, não preciso de cadeira de rodas, não tenho esse tipo de incapacidade. Mas como não consigo andar muito tempo a pé se quiser visitar algo que se presupõe que tenha que andar muito tempo necessito dessa ajuda, sob pena de não poder mais andar sem dor extrema, que digo-vos não é pera doce, só quem a sente é que sabe como é. Porque é que não hei-de usar a cadeira, se essa ajuda existe?

 

Aborreci-me à séria com duas colegas de trabalho, porque uma delas deixou escapar que se necessitasse do apoio de uma cadeira de rodas, mesmo sendo como o meu caso, e principalmente no meu caso, não saíria para alguns locais sabendo que não poderia aguentar o caminho!

 

Sob esse ponto de vista eu nunca tería ido a Lanzarote, já que necessitei da cadeira de rodas para poder percorrer todo o aeroporto. Ao colocar-lhes essa questão, se eu não teria direito a ver alguns locais e a visitá-los? Perguntaram-me se eu não gostava antes de uma praínha sossegada onde não precisasse de andar muito! Homessa!!! Então as pessoas que têm certas incapacidades não podem ver mais nada senão praínhas sossegadas? Ah! e não serve uma qualquer, pois sabemos que muitas possuem as chamadas "barreiras arquitectónicas".

Quem tem limitações não pode sair de casa, não deve ir trabalhar, já que obrigam a reestruturação do serviço (embora eu saiba, e agradeça do fundo do coração, o trabalho que dou à minha chefe), não pode tentar ser mais pessoa? Não pode e não têm o direito a viver a usufruir do que os ditos "normais" podem usufruir!?

 

Tenho consciência de que posso dar muito pouco de mim, mas tudo o que dou julgo que tem valor. Que pode contribuir para a sociedade muito mais do que se eu ficasse enfiada entre quatro paredes e a gastar dinheiro em psiquiatras, já que ia dar em doida! Faz algum sentido que eu não possa usar de um instrumento como a cadeira de rodas para me deslocar quando dele necessito? Afinal ele foi pensado para isso, para que se possa viver e gostar da vida uma vez mais e de maneira diferente!

 

Será que se pode tentar, por uma vez, pensar e ver mais longe do que o que se vê?

Será que o mundo pode tentar focar-se em quem ainda quer ser e fazer? Em quem ainda tem muito para dar, apenas o fazendo de forma diferente!? Em quem tem muito para ver e visitar e acha que não é uma incapacidade, uma ajuda que necessite, que o deve impedir?

 

 

 

O meu Abril (2ª parte)

 

... Continuação do artigo (post) anterior

 

 

 

 

Para mim tudo era estranho naquela casa para onde meus pais me levaram. Não tinha brinquedos e não tinha a minha cama, dormia num quarto ao lado dos meus pais e tinha muito medo na noite demasiado escura. Conheci o meus avós, a casa era deles. O meu avô gostava de brincar comigo às escondidas mas a minha avó não parecia ter muita paciência e eu evitava chegar perto dela, tinha uma cara de zangada.

 

Lembro-me que se falava na festa da aldeia e todos pareciam menos tristes por isso, mas eu não gostei daquela festa! Ouvi os tiros outra vez e escondi-me na despensa debaixo de uma prateleira e não saí nem quando me chamaram! Não fosse dar-se o caso de os tiros estarem perto como pareciam. O meu avô encontrou-me e ficou ali ajoelhado, perto de mim, até o barulho dos "tiros" passar.

 

Não gostava daquela casa. Sei que o meu pai também não gosta, mas a minha mãe finge que não se importa de ali estar. Ouvi dizer que o meu pai vai trabalhar outra vez para a mina. Decido não gostar dessa mina. Dizem que é escura e fica debaixo da terra, não gosto de sítos escuros. Quero ir para minha casa, quero os meus brinquedos e o meu baloiço. Porque é que não voltamos para casa?

 

Meus pais explicam que uns senhores tiraram a nossa casa, e tudo o que tínhamos, as malas não chegaram a Portugal. Só temos a nossa roupa e algum dinheiro poupado, não muito, o que deu para poupar e trazer connosco desses três anos de início de vida. Explicaram que já não podemos voltar para a casa que eu gosto... a minha casa! Esses senhores foram maus, porque é que eles fizeram isso?

 

Meus pais notaram que na aldeia onde estavam a vida continuava difícil, mais difícil agora onde parecia que já não eram Portugueses. Ouvia dizer que eles eram retornados. Decidiram tentar a sorte em outro país, desta vez o Brasil, onde nada correu como esperavam, mas essa é outra história...

 

A base destas duas histórias serve para deixar um testemunho de alguém que cresceu a ouvir falar mal do 25 de Abril, e que este lhes "roubou" tudo o que tinham! O que não deixa de ser verdade, em certa parte. Nada foi fácil a partir desse dia, pedi o meu mundo, o único que conhecia, e perdi-o de uma forma muito dura para a idade tenra que tinha! Mas cresci a saber respeitar o outro, a ser solidária, a ver o todo e sobretudo a prezar muito a liberdade que tenho  de poder expressar-me, de poder ter as minhas ideias e de lutar por elas sem medo. Aprendi a não olhar só para o meu umbigo, e apesar de ter perdido muito, ganhei algo que prezo acima de tudo - LIBERDADE -

 

Por isso, não sou uma simples citadina que não sabe as dificuldades do pós 25 de Abril. Eu vivi-as no meu jovem corpo e na minha alma! Talvez por isso, por tudo o que possuo ser suado, conquistado e fruto de muito, mas muito, trabalho que sei dar valor ao que tenho e àquilo que foi conquistado naquele dia. Naquele 25 de Abril de 1974!

 

 

 

 

O meu Abril (1ª parte)

 

O novo acordo ortográfico diz que os meses se escrevem com letra minúscula, desculpem-me os "senhores do acordo", mais em desacordo que eu já vi, mas Abril para mim é com maiúscula! Não só porque é o meu mês, como é o mês que tornou os portugueses, pelo menos a sua maioria, despertos para a palavra "liberdade".

 

No meu artigo anterior (post para os mais Ingleséfilos), que escrevi sobre Abril, recebi alguns comentários de teor duvidoso. Não só pelo conteúdo menos educado, como pelas ideias que não me faziam muito nexo. Palavras soltas deixadas ao calhas e quem quiser que organize. Infelizmente ao apagar um menos adequado outros foram à vida também. Acontece. Peço desculpa se apaguei algum indevidamente. Foi a primeira vez que apaguei comentários e apesar de terem palavras e frases pouco construtivas, mais para o brejeiro e mal educado mesmo, ainda ponderei se o deveria fazer. Mas o Blogue é meu, e ou aprendem a reger-se pelas regras da argumentação e boa educação ou vão dar uma curva ao bilhar grande que é ali mesmo ao lado. Se estão de mal com a vida aconselho a ingestão de um frasco de mel diário pode ser que adocem. Para distribuição de limões gratuitos não estou disponível, obrigada.

 

Adiante...

Um dos comentários que continha linguagem indecorosa, apesar das frases sem grande nexo, o seu sentido era dizer que eu falava bem do 25 de Abril porque era citadina, nova e burra. Pois bem, nada mais errado, tirando a parte do burra que pode ser discutível, mas eu tenho uma boa opinião sobre mim própria, não tenho um elevado QI mas dá para o que quero.

 

Convido, quem quiser continuar com as linhas que se seguem, e tiver paciência para essa leitura, a recuar comigo ao meu Abril. No meu 25 de Abril de 1974....

 

Estava um dia quente, daqueles dias que amanheciam numa Angola distante da metrópole, na minha casa pouco se entendia de partidos políticos e de necessidades de libertação. Meu pai foi obrigado a ir para uma guerra que lhe trouxe muitos dissabores. Perdeu o pai ainda na maldita guerra, como ele lhe chama. Regressou e tentou fazer vida. Recém casado, decidiu com a sua jovem esposa, grávida, abalar para Angola à procura de uma vida melhor, em fuga de um Portugal sem grandes esperanças para pessoas com apenas a 4ª classe, que pertenciam a um Trás-os-Montes perdido e esquecido. Lembram-se que naquela altura estiveram para escolher entre a Alemanha e Angola. Mas em Angola falava-se o Português e afinal era uma colónia que pertencia a Portugal. Além disso, uma país do qual diziam maravilhas! A maior parte da família estava para lá e assim o sentimento de abandono à terra não seria tão sentido.

 

Pessoas simples de uma aldeia, habituadas a nada ter e a lutar imenso pelo pouco que conseguiam. Apenas queriam mais para a sua prole, o futuro que ameaçava aparecer a qualquer momento.

 

Mas naquele dia algo mudava, sentiram isso na notícia que um amigo lhes trouxe naquele entardecer! O regime caiu! Deu-se o 25 de Abril!

 

Mas que significa isso? A pergunta pairava-lhes no ar....

 

A resposta não tardou. Naquela semana notava-se uma certa agitação nas pessoas.

A lavadeira de uma amiga começou a deixar bilhetes escondidos, que foram sendo descobertos após o seu sumiço sem explicação. A missiva que continham era, não um pedido, mas antes um aviso, "BRANCO VAI-TE EMBORA" ou, "ANGOLA É NOSSA!"

 

Meus pais começeram a sentir algo que nunca tinham sentido até então, a cor da sua pele branca. Muitos "amigos" ditos de cor, esqueceram que a amizade não se guia por esses preconceitos e deixaram de aparecer. Muitos dos que simpaticamente falavam fingiam agora não terem dentes para sorrir.

 

Mas afinal que mal fizemos nós? Questionavam-se baralhados aquelas duas pessoas, os meus pais,  que encerram em si uma certa ignorância.

 

Não muito tempo depois da "notícia dada" ouviram-se os primeiros tiros em Angola. Não muito longe da rua onde morávamos em Luanda. Eu estava no meu baloiço e sinto mãos fortes e aflitas a agarrarem-se e apreensivamente a fugirem comigo para casa onde tudo é fechado à pressa! Correm-se persianas, encerram-se portas agitadamente. E os tiros... esses ainda se ouvem!!! Minha mãe reza... meu pai está lívido e não me solta. Sinto suas mãos quentes e suadas a pressionarem-me mais do que gosto. Esqueço-me de chorar... o susto tirou-me esta reacção natural.

 

Diziam que alguém tinha morto um taxista branco! E as fontes falavam que o assassinato foi perpetrado pelos negros dos arredores de Luanda. Não muito tempo depois ouviu-se que a vingança não tardou, e alguns taxistas portugueses atacaram vários musseques, os bairros dos pobres, ao redor da capital. E num olho por olho, dente por dente, numa Luanda a ferro e fogo as reações seguintes agudizaram ainda mais a situação: as lojas dos brancos portugueses, mais de 1000, nesses musseques, começaram a ser saqueadas e queimadas com a população a festejar por cada estabelecimento destruído. E os tiros continuavam...

É decretado o recolher obrigatório. Alguns camionistas e taxistas desobedeceram a este recolher e passearam-se com bandeiras içadas nas viaturas, dizia-se que um jovem de 14 anos foi morto no tiroteio desordenado entre militares a ocupantes dos carros.  O medo ganha raízes.

 

Começa a faltar comida. Na minha casa, um amigo que tinha uma mercearia leva, perto da hora do recolher, alguma comida. E a ele devemos não ter travado conhecimento com a verdadeira fome. Este amigo sabia que existia uma criança naquela casa, e o futuro era para ser protegido. Só pão falta.

Minha mãe não saía e meu pai ia unicamente trabalhar e depressa voltava.  

 

Temos de voltar. Temos de sair daqui. É o que pensam, é o que precisam!

 

Chega um tempo em que começaram a deitar-se vestidos e prontos para fugir pela noite caso necessitassem. Uma noite ouço os sussuros dos meus pais e distingo, na voz apreensiva do meu pai, "Ainda bem que a menina consegue dormir", mas a menina não conseguia... "Pai, porque estás assustado? O que se passa?"

Claro que as suas desculpas não resultaram. Tal como disse, o meu QI não é elevado mas serve.

 

Sou acordada de madrugada, tirada da cama e levada para a rua onde já não ia há algum tempo. Meus pais seguem num silêncio cismático. Eu, que tanto falo, decido que prefiro nada dizer e acompanhá-los nesse silêncio que não entendo. Pára um jipe da tropa que tem escrito as letras "FNLA". Que quer isto dizer?

Perguntam aos meus pais se não sabem que ainda está na hora de recolher obrigatório?

Eles sabem... mas precisam de ir à Delegação de Saúde para receber a vacinação obrigatória a fim de regressar a Portugal, e nestes dias é impossível as filas que ali se ressentem! Tiveram que ir de madrugada para poderem ter atendimento com a menina.

Do dentro o veículo ouve-se a ordem:

"Entrem no jipe!"

Sou levada pelos braços suados que me apertam mais, outra vez aquele aperto que me atormenta. Deixam-nos à porta da Delegação de Saúde e pedem aos meus pais para terem cuidado, "As coisas não estão boas e deram connosco, senão não teriam tanta sorte!"

Sorte, foi o que tivémos. Meus pais confessaram mais tarde que pensaram que não iam sair vivos daquele jipe. Mas algumas almas não se extinguem mesmo na desventura!

 

Mais uns tempos naquela Luanda... onde no quintal se sentia, no calor daquele Abril, um cheiro fétido trazido pela brisa. O cheiro a morte. Dizia-se... dos mortos que se acumulavam na Delegação de Saúde onde esperavam o seu destino.

Isto vai melhorar, dizia-se... Será?

 

As malas são feitas tenta-se levar o que se pode. Só sou autorizada a levar comigo o meu hipopótamo verde, que me acompanha nas noites de sonho, e o meu piano pequeno. Nada mais. Tudo o que é meu é encarcerado em malas que nunca mais vi...

 

Seguimos numa fila de gente. Quero colo. Meu pai segue à frente carregado com o que pode. Minha mãe não pode dar-me o que preciso. Colo. Não tem espaço nos seus braços cheios, uma sacola, discos e o meu piano ocupam o lugar que anseio. À frente "os que mandam" tiram algumas coisas às pessoas. Minha mãe, num momento de lucidez, pousa a sacola e dá-lhe um ligeiro pontapé deslocando-a para a pessoa à sua frente, que nada lhe diz, que não conhece, e esse alguém passa a sacola, do mesmo modo, para o indivíduo imediatamente a seguir. E de toque esperto de pé, em toque astuto, a sacola passa os guardas sem que estes lhe deitem a mão. Nada tem de importante para eles. Só a simplicidade dos meus pais. Uma garrafa de champanhe que sobrou do meu batizado e um pequeno rádio a pilhas. Uma sacola que mostrou que há sempre união na desesperança.

 

Chegamos a Portugal. Não ouvia mais tiros, mas meus pais ainda sussurravam tristemente a noite. E eu podia ouvir minha mãe a chorar baixinho...

 

Continua....

 

O sonho.... O Abril...

Faz 40 anos este ano, este Abril, que o povo tinha um sonho. O povo veio à rua aplaudir os militares que se ergueram por eles, que deram voz à palavra calada de muitos. Ao que parece o hábito de calar a voz está muito enraizado no povo português.

 

Os cravos vieram à rua, os cravos trouxeram o que se procurava à muito. Liberdade. Mas não uma qualquer. Mas sim uma liberdade de sonhos sonhados em camas de ilusões numa madrugada fresca daquele Abril. Saíram alguns vampiros. Mas muitos espreitavam na sombra, sempre sedentos, não de sangue, porque estes vampiros alimentam-se poder. A sua sede não suga a vida, suga algo mais importante, vai sugando a esperança, o sonho, a utopia...

 

E a questão perseguiu, escondida, sempre pronta no negrume da dúvida. Será que o 25  de Abril trouxe ao povo o que este queria dele?

 

Acredito que cumpriu na sua maioria o desígnio. Caiu uma ditadura opressiva. O povo podia falar, expressar-se.

 

Após 40 anos os militares são convidados à Assembleia da República para participar nas comemorações de Abril, mas impõem como condição da sua presença que os deixem falar. 

 

Estes tipos estão loucos???? Quem é que pensam que são para falar?!? Isto foi o que pensou a Presidente da Assembleia da República. E se o pensou melhor o disse. Ai não querem vir se não falarem? "O problema é deles!"

 

Esta querela entre os Capitães, querem falar, e a Presidente, que acha que eles não têm que falar, é deveras interessante.

 

Já todos sabemos o que os Capitães querem dizer, e mesmo que não os deixem falar não há problema. Eles falam calados! E calados (ou não) também vão falando os que nos (des)Governam.

 

Alguém me diz o que que Abril diz a esta gente que nunca coloca o cravo na lapela aquando as comemorações, que quanto a mim é um símbolo importante, significa para eles?

 

Para mim as comemorações nada mais são que uma hipocrisia! 

 

Não é este o Portugal do sonho de Abril! Aquele sonho que me contaram... Este Portugal é uma farsa!

Será que se julgam donos da palavra? E quem é o dono da palavra?

E de quem é este 25 de Abril de há 40 anos?

É nosso! Será que o merecemos?

 

 

O verdadeiro significado

 

Para mim cada palavra serve para identificar, para classificar, contendo em si o significado de algo. Foi isso que me ensinaram na Escola e é isso que leio no dicionário sempre que busco o que determinada palavra quer dizer.

 

Por exemplo, vejamos o significado de "solidariedade"- que agora fica à distância de um clique, bem aqui no teclado, ficando eu poupada de me deslocar até à estante e levantar o dicionário, como tal encontro isto no dicionário Priberam;

 

1- Qualidade do que é solidário;

2- Dependência mútua

3- Reciprocidade de obrigações e interesses

4- Direito de reclamar para só si o que se deve a todos

 

Do que eu entendo solidariedade é um acto livre que implica uma certa reciprocidade. E alguém me explica porque é que deram o nome de "contribuição extraordinária de solidariedade" ao novo corte nas pensões acima dos 1000 euros?

 

Mas está bem, é um acto solidário de tirar a quem tem pensões com valor razoável para dar quem tem menos.

 

Então sejam solidários senhores políticos e troquem os Audis e BMWs do parque automóvel, pago com o dinheiro de todos, por carros mais baratinhos. E já agora recusem, como acto solidário, aquelas valentes ajudas de custo que ainda não percebi para que servem, afinal qualquer deslocação é paga com dinheiro de todos, comidinha presumo que também... onde enfiam tanta ajuda de custo?

 

Ah! Já agora os bancos que sejam solidários também.

 

Entremos todos numa grande onda de solidariedade. Ok?

 

Gostava de ver outra vez a cor do meu subsídio de férias e de Natal, sejam lá solidários faxabori.

 

 

The Voice Portugal

Não sou grande fã de concursos televisivos, mas admito que gosto do formato do "The Voice". Assisti alguns programas do americano e achei interessante a escolha de um concorrente só pela voz.
Foi importado esse formato para Portugal e não pude ficar indiferente a isto;
Tentarei ver mais programas só para ver se o júri, entretanto, ganha juízo.... {#emotions_dlg.snob}

Tudo o que se vê

Mais uma semana da treta em que não consegui colocar os meus queridos e amados dedinhos no teclado...

 

E bem dizer, sorte tiveram os incautos que por aqui passam e que se conseguiram poupar das minhas tagarelices de bloguer. No entanto, e tal como já por aqui disse, isto é uma forma de terapia e sem a minha terapia acabo por ficar meia irritadiça.

 

A semana de trabalho algo movimentada acabou numa formação em serviço, e em que uma das formadoras era a menina que por aqui debita umas ideias. Já não é a primeira vez que sou formadora mas foi uma das vezes em que o barulho de fundo mais me incomodou. Não que houvesse grande ruído mas foi o suficiente para que incomodasse o raciocínio de alguém que teve uma semana cansativa. Os meus sentidos estavam a funcionar ao contrário. Em vez de estarem focados nos conteúdos que estava a transmitir estava mais focado a reparar em tudo o que se passava à volta e que não interessava ao caso...

 

E digo-vos é extraordinário no se reparara!!! Todo o bichanar, o piscar de olhos, o olhar mais desatento e aluado,... tudo mas tudo, salta ao olhar como se nos quisesse cegar! E foi assim que fiquei com pena, muita pena mesmo, dos desgraçados dos professores. Bem sei que essa é a sua tarefa, que terão anos de prática (muitos deles) em fazer ouvidos moucos e fazerem-se de cegos a tudo o que se passa numa sala de aula. Mas os professores são humanos, para quem não sabe aquela malta é feita de carne e osso! E deve haver dias em que até uma aranha, a tecer a sua teia bem descansadinha lá na esquina mais afastada da sala de aula, lhes deve incomodar.

 

E tento, da minha forma desajeitada, manifestar o meu mais profundo e honroso respeito para com os professores. E já agora pedir encarecidas desculpas por todas a minhas bichanadelas toques para o lado, papelitos atirados, piscadelas de olho, bilhetinhos e sei lá que mais, que a memória já não é o que era, a tudo o que fiz e que perturbou a vossa aula. Ah! E já agora aproveito para pedir desculpa aos formadores, de algumas formações a que tenho ido, é que sabem, isto de ser adulto não quer dizer que se seja de ferro e que se vá ganhando juízo em proporção....

 

 

Imagem retirada da internet, obrigada a quem a disponibilizou

 

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