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Eu tento, mas meu tento não consegue!

E pior do que não conseguir é nunca ter tentado... Bem vindo! Faça de conta que está em casa :)!

Eu tento, mas meu tento não consegue!

E pior do que não conseguir é nunca ter tentado... Bem vindo! Faça de conta que está em casa :)!

Revelações

beijo.jpg

Continuação daqui

 

Afonso encontrava-se na sala de leitura quando um dos criados o informou que seu amigo Lúcio havia chegado.

Que raio anda esse tipo sempre cá a fazer? Como se não bastasse parece rondar Isabel!

Atirou com alguns papéis, em que trabalhava, com força em cima da escrivaninha bastante enervado. Sabia que não era o melhor dos maridos. Mas afinal teve que manter a promessa que fez a si mesmo que não lhe tocaria. Deixou-se consumir pela raiva de ter sido obrigado a casar com ela, mas a convivência com a sua doce esposa fez com que a visse sob outro olhar. Ela simplesmente não era nada arrogante como lhe parecia inicialmente. Apenas era uma mulher que gostava de se afirmar como pessoa, e nos tempos que vivam, tão injustos para elas, o seu esforço era digno de nota. Mas até o esforço era mal visto por uma sociedade essencialmente machista! E ele acabou por ser tudo aquilo que criticava. Julgou sem conhecer. Mas afinal, quem o podia censurar?

Ela era inteligente, sendo-lhe possível entabular uma conversa sobre diversos assuntos. E era bela! Oh! Muito bela! Uns olhos cor de mel. Algumas sardas, discretas, espalhadas sob seu rosto cândido e que  lhe davam uma certa graça, cabelo castanho claro e uma pele divinal. O seu pequeno nariz arrebitado era a uma característica muito peculiar, e se em  tempos o detestou, agora começava a duvidar que talvez já não viveria sem ele… Para não falar do seu doce odor. Mas passara demasiado tempo... Agora tinha que ir com calma e conquistá-la. Ultimamente parecia que ele lhe era indiferente e isso era a sua penitência!


Mas sempre que ele, Afonso, parecia finalmente estar a aproximar-se de Isabel eis que aparece o Lúcio para roubar todas as atenções para ele! Dizia-se amigo?

Arggh! Bolas para o Lúcio!

A verdade é que começava a desconfiar que algo mais existia entre eles do que a amizade… mas poderia ele censurar sua esposa?

Nunca lhe havia tocado! Na sua infinita teimosia! Muitas vezes queria deixar-se sucumbir pelo desejo mas lembrava-se que estava casado por obrigação e porque ela havia insistido! E esse pensamento tomava as rédeas. Neste momento já nem sabia o quê, ou quem, tinha as rédeas! Passara-se quase um ano! Tempo demais para deixar  uma mulher como ela sem ser amada. E o certo é que ele nunca mais conseguira tocar em outra mulher! Devia estar tolo, ou doente, de certeza!


Levantou-se da cadeira e saiu da sala de leitura pronto para receber Lúcio, embora soubesse que sua mãe, como boa anfitriã, já o havia feito, mas queria ouvir qual o motivo apresentado por ele para justificar da sua vinda ali e perscrutar em seus olhos a verdade.

Chegou ao grande salão, recebeu-o um odor a fumo, a lareira já se encontrava acesa, pronta para receber a noite. Ninguém se encontrava lá! Nem sua mãe, nem Lúcio!

Saiu dali e num dos corredores encontrou Madelena, a governanta, que contava já com alguns anos de trabalho naquela casa, e não  se cansava de lhe lembrar, sempre que julgava oportuno, que já havia andado com ele ao colo. Eram-lhe dadas certas liberdades de conduta, não só pelos anos de casa que tinha, mas também pelo seu elevado grau de responsabilidade.

- Madalena sabe onde está minha mãe e o meu amigo Lúcio que chegou há pouco?

- A Sr.ªDuquesa, Dª Margarida, recolheu-se um pouco antes de jantar. Provavelmente para vestir um agasalho, pois as noites esfriam e…

- Sim Madalena! E Lúcio? – Afonso demonstrava sinais de impaciência

- Se o menino me deixar continuar! Que assim está exaltado! Pensava-se que o casamento o sossegaria mas parece cada vez pior! – E obtendo um revirar de olhos impaciente por parte de Afonso continuou – O menino Lúcio foi até a estrebaria! Esta juventude está doida! A visita dá-se ao desfrute de sair da casa de quem o recebe para ir ver cavalos em vez de ver os donos destes!

Afonso saiu a chispar ódio encaminhando-se para a estrebaria. Sabia que àquela hora Isabel costumava ir lá tratar do seu cavalo! Ela tratava aquele animal com um desvelo impressionante!

Raios! Até um cavalo merece mais  do que ele! Mas é hoje que eu os apanho!

 No céu já se notava que o sol os abandonava mas deixava-os com um magnífico espetáculo de cores e o cântico orquestrado por alguns grilos.  Mas nem isso amansou a alma conturbada de Afonso que entrou de rompante na estrebaria e viu Lúcio de costas a beijar Isabel! Como? O Infame?

Agarrou-o pelos ombros com violência e atirou-o ao chão bramindo,

- Canalha! Pulha! É isto que fazes à amizade que dizias ter por mim? Tornas-te amante de minha mulher?

Lúcio atordoado e sem perceber, inicialmente, o que o seu amigo gritava, levantou-se de imediato e tentava afastar-se de um Afonso certamente possuído por algo demoníaco!

- Afonso para! Estás doido! - Gritou a voz feminina agarrando-o pelo braço.

Mas aquela voz...

- Sofia!?!

- Quem é que esperavas que fosse? A Isabel!? - Sofia gracejou - Como tens coragem?! O que tu merecias é que fosse mesmo ela. - Ela sabia que havia prometido à sua amiga  mencionar nada do que sabia a Afonso, mas isto era demais e ela não tinha sangue  de barata!

Afonso virou-se para Sofia com ar de espanto e incredulidade - De que falas tu?

- Tu bem sabes do que falo! Não me faças envergonhar-te mais do que a vergonha a que já te submetes!

Foi um Afonso zonzo que se desculpou e saiu de ombros caídos dali. Lúcio foi ao seu encalço e encontrou-o  cabisbaixo, encostado ao tronco de uma frondosa e velha árvore no caminho que dava até ao casarão.

- Como cheguei a este ponto? -  falava rouco, numa voz carregada de tristeza

Lúcio, como bom amigo, escutou-o e deu-lhe uma palmada no ombro.

- Ó meu amigo pensavas que te traía? Com pudeste!? Nunca faria isso! Já há algum tempo que me apaixonei por Sofia, mas quis primeiro falar com meus pais para poder avançar com um pedido mais sério junto do Sr. Joaquim. Que, como bem sabes, tem mau feitio e guarda a filha como se ela fosse uma pedra preciosa. Que a bem dizer da verdade o é -  disse sorrindo - Hoje vim até cá para marcar um jantar com ele e oficializar as minhas intenções. Mas quis falar com Sofia primeiro e como sei que a esta hora ela costuma estar por aqui vim dar-lhe a boa nova. Desculpa se não fui ao teu encontro primeiro. Sou um mau hóspede...

- Eu é que peço desculpa e lamento a minha atitude. - Afonso estava derrotado

- Mas afinal o que se passou? A que se referia Sofia? - Lúcio estava curioso

- Meu bom amigo tenho vergonha de falar-te. Peço que compreendas o meu silêncio - disse virando-se, finalmente, e olhando Lúcio nos olhos.

- Como queiras. Sabe que estou aqui para o que precisares. Ah! E já agora. Aceitas ser meu padrinho de casamento? - Lúcio sorria e pretendia aliviar a tensão do amigo. Intento esse que resultou num abraço, e num "Claro que sim!", de um Afonso cujos lábios sorriam através de um olhar sombrio.

 

Caminharam até ao casarão com Lúcio a falar de Sofia e um Afonso a pensar na Isabel. Na "sua" Isabel. Deixou Lúcio no salão com seu pai e foi novamente à sala de leitura, dando a desculpa de algo urgente para tratar, mas com a intenção de reflectir nas suas atitudes e ficar um pouco só.

Ficou cego de ciúmes e esses ciúmes significavam que amava Isabel. Como pudera não perceber isso e demonstrá-lo? Ela merecia-o. Fora egoísta ao pensar só no facto de ele ter sido obrigado a casar. Afinal fora ela quem fora arrancada à família e a tudo o que conhecia para cumprir um destino incerto. Ele não a honrara! Mas isso ia mudar! Esta noite tudo ia mudar....

 

Fim

 

PS - Espero que quem tenha seguido com  paciência esta noveleta tenha gostado. Agradeço todos os comentários, e as preciosas sugestões, que me foram deixando. Um beijo aos meus queridos amigos que por aqui vão passando.

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