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Eu tento, mas meu tento não consegue!

Sabendo que nem sempre vou conseguir ir aos vossos espaços, mas nunca vos esquecendo e sempre tentando...

Eu tento, mas meu tento não consegue!

Sabendo que nem sempre vou conseguir ir aos vossos espaços, mas nunca vos esquecendo e sempre tentando...

Só quero existir...

 

“Matias acorda cedo, os seus pais já saíram há muito para o trabalho, lembra-se vagamente de um beijo fugaz depositado pela mãe na sua testa, ou seria um sonho?

Seja como for gostaria que tivesse sido realidade, mas sabe o quanto os pais se esforçam, no seu íntimo, sabe porque não têm paciência para ser ouvido, para lhe permitirem a existência, gosta deles apesar de fingir que os odeia, pois sabe que eles… Eles também deixaram de existir… eles sobrevivem numa torrente de acontecimentos que os leva a ter dois empregos para poder pagar a casa em que vivem, a alimentação, os muitos gastos e ainda ajudar o seu irmão que não consegue arranjar emprego, e que parece afogar as suas perdições numa garrafa. O seu irmão mais novo, tem faltado às aulas, da Escola mandam cartas e mais cartas para os pais irem às reuniões, e eles foram das primeiras vezes, mas agora? Agora não têm forças… deixaram de existir.

E eu? Eu tento existir, tento não me perder naquele grupo que me acedia a esquecer, tento ser ouvido, tento, que gostem de mim, tento ser eu… mas não consigo. Ninguém ouve o meu grito surdo, ninguém consegue olhar para mim! Porque as pessoas deixaram de ter olhar, deixaram de ver! E eu levanto-me todos os dias, arranjo-me e visto-me a contragosto, tenho mais um dia… mas um dia! Será hoje? Será hoje que vou ver um olhar? Será hoje que me deixam em paz e percebem que estou a gritar?

E como ir para uma escola onde não me vêm, onde começo também a deixar de existir….” (qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência)

 

Como ir para uma escola onde temos professores angustiados, onde que eles próprios deixam de existir?

 

Como ir para uma Escola com turmas de 30 alunos onde cada um tem o seu ritmo de aprendizagem? Onde cada um existe de forma diferente? Onde cada um é único e tem de deixar de o ser?

 

Senhores Ministros, Senhor Ministro é isto o “custe o que custar”?

Custa o futuro dos nossos filhos das nossas crianças, do nosso país!

 

Sr. Ministro punha um filho seu numa Escola Pública com 30 alunos por turma? Acha isso pedagógico? No seu íntimo acha esta que esta revisão curricular faz algum sentido? Acha que faz sentido estes mega-agrupamentos, estes exames à molhada?

 

Afinal, percebi o que grita mais alto em si. O político cego, aquele que não quer ver, aquele que só vê números contas a prestar! Mas não as contas que tem a prestar ao povo! Aquelas contas que vos saem iluminadas de um lado qualquer perturbado e estéril. E não vê que essas contas dão um resultado mais que negativo! Não vê que existe nesta vida algo mais além, e que há coisas para as quais temos que dizer -  Não! Basta!

O seu lado de professor deixou de existir! Por favor, peço-lhe, não diga mais o seu título académico de professor, porque isso deixou de o ser! Agora é só o Sr. Ministro da pasta de Educação, o político cego, aquele que deixou de ver o ensino, a pedagogia, os alunos, a aprendizagem como investimento, a maravilha de ensinar e de motivar a aprendizagem! A maravilha de existir! Está a atirar anos de existência para o ar! Está criar autómatos, pessoas que não se motivam. Está a criar burocratas. Está a fazer nascer um ensino só para alguns, aqueles que felizmente, vão conseguindo existir contra tudo e todos, ou que têm uma parte económica que os suporta.

 

Não! Não sou professora. Mas sou algo que o Senhor e os seus companheiros não entendem, sou mãe! Uma mãe que quer que o seu filho exista! Uma mãe que acha que as crianças, sem excepções, devem ter acesso a uma educação digna, coerente e que respeite a individualidade de cada um. Uma educação que forme, que ajude que promova e motive a aprendizagem.

 

E hoje em dia de manifestação de professores, em Lisboa, acho que estes não deveriam estar sozinhos, deveriam estar acompanhados dos pais.

 

É o futuro dos nossos filhos que está em causa. E porque não manifestarmo-nos à frente das escolas de nossos filhos? Porque não começarmos a mexer as associações de pais?

Talvez vá “dar com os burros n`água” mas tentarei.

 

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