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Eu tento, mas meu tento não consegue!

Sabendo que nem sempre vou conseguir ir aos vossos espaços, mas nunca vos esquecendo e sempre tentando...

Eu tento, mas meu tento não consegue!

Sabendo que nem sempre vou conseguir ir aos vossos espaços, mas nunca vos esquecendo e sempre tentando...

E depois do adeus...

Imagem retirada daqui



Faz 39 anos que no dia de hoje se preparava uma revolução. Faz hoje 39 anos que “Depois do Adeus” ecoou através da rádio, precedida, às 00:20 m por “Grândola, Vila Morena” que indicou um novo acordar.


Quarenta longos anos antecederam estas músicas. Quarenta anos de uma ditadura marcada pela força e pelo autoritarismo. Quarenta anos marcados por Salazar!


Apesar de ter nascido antes do novo acordar, a minha pequenez não me permitiu perceber o que me rodeava, mas a convivência com os frutos de um regime autoritário foram fortes e presentes. O povo que ele criou, frutos de um Trás-os-Montes na sua maioria analfabeto, rude, sem recursos e com a necessidade de abandonar o país para tentar melhor sorte. Esse povo fez parte das minhas vivências. Assim como o discurso da submissão, fruto de anos de hábito, “eles é que sabem”; “que podemos nós fazer?”; “Temos que aguentar…” (discurso preferido de tempos de agora também). Sou uma filha desse povo. Um povo habituado a nada ter, a lutar, a ceder, a não ter conhecimentos para sentir que poderia falar, um povo que cala...


Talvez por ter nascido em Abril, ou talvez, por felizmente, ter tido a sorte de poder ouvir cânticos de liberdade não sou igual ao povo de quem sou filha. Penso que temos direito a mais e melhor, que devemos lutar por isso, temos direito de sermos todos iguais… de sermos livres! Mas desenganem-se, também temos deveres! Temos o dever de sermos solidários, cívicos, de não nos aproveitar-mos e de sermos honestos! Temos dever de sermos gente digna desse nome!


Tempos difíceis como os de hoje levam a que se questione o estado democrático actual. Não estamos numa ditadura, longe disso. Mas não digo o mesmo em relação a um regime autoritário, cego, sem escrúpulos, pouco solidário onde a visão prioritária é o interesse económico. Estarei errada?


Uma Europa que não se soube unir e fortificar, que não pegou no que tinha de melhor e tornou isso forte.Muito pelo contrário, despedaça-se a cada minuto, divide-se a cada segundo e aumenta o fosso entre ricos e pobres, tal como a América dos olhos lindos que tanto queriam igualar. Será este o caminho?


Esperemos que se acorde a tempo de ver que este não é o rumo, que não é com políticas de austeridade cega que se avança, que não é desta forma que se constrói. E que temos que sobretudo decidir o que é que queremos construir. Um modelo virado para a sociedade e com a economia a seu favor, ou um modelo virado para economia com a sociedade como escrava.


E 39 anos depois de dizermos adeus a anos de opressão, de analfabetismo, de escuridão, de iliteracia, pergunto-me se não estaremos a entrar novamente por caminhos que nos levam a outra escuridão? A caminhos que não nos conduzem ao que sonharam os filhos de Abril!


Teremos que tentar construir um "Abril" melhor! E que o nosso tento consiga... é urgente que se consiga.


E com uma nova voz, mas com a mesma vontade, dizer adeus...


 

 






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