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Eu tento, mas meu tento não consegue!

Sabendo que nem sempre vou conseguir ir aos vossos espaços, mas nunca vos esquecendo e sempre tentando...

Eu tento, mas meu tento não consegue!

Sabendo que nem sempre vou conseguir ir aos vossos espaços, mas nunca vos esquecendo e sempre tentando...

Assunto sério



Este mês na revista da Deco “Teste Saúde” há um artigo interessante sobre cuidados no fim da vida. Entre muitos assuntos fala-se sobre a dor, um assunto que me interessa, e o qual tento saber sempre mais. O que li já o sabia, mas mesmo assim tenho a esperança que a minha experiência não seja a de muitos.


Há médicos que ainda resistem a passar medicamentos que tenham eficácia na dor! Isto quando a legislação internacional de direitos humanos determina que os pacientes devem viver sem dor.

Quando eu comecei esta epopeia da luta contra a dor, assistia muitas vezes pasma a frases como, “Está a tomar isso? Mas é muito forte!! Veja lá se reduz!” – atenção isto foi dito por um profissional de saúde. E explicar a esse profissional que a dose que tomava na altura ainda nem chegara perto do que eu realmente precisava!

Numa fase em que a minha dor não estava nem pouco mais ou menos controlada, eu pesava pouco mais de 45 kg (meço 1,63cm), tinha um fácies de sofrimento, e não conseguia nem andar, quanto mais trabalhar! Houve alguém que se saiu com esta pérola, numa consulta no Hospital, mais uma vez um profissional de saúde “Tens que começar a trabalhar para te esqueceres da dor”. Eu juro que se tivesse forças ia-lhe às santas fuças! Mas não tinha… nem sequer força para lhe responder, e quem me conhece sabe que são poucas as minhas respostas assertivas que ficam por dar! Quem me dera poder ir trabalhar e “esquecer” a dor. Se fosse por aí eu que sou mais mexerica , e só paro quando estou de rastos, a dor estaria há quem tempos no raio que a parta!

E meus caros, falamos de uma dor que é de origem traumática! Faço ideia como será para alguém com uma dor psicossomática! Que não deixa de ser sentida na mesma mas tem origem psicológica.


Causa-me uma imensa tristeza que ainda, nos tempos de hoje, sabendo o que se sabe, não se lute para dar uma vida sem, ou com menos, dor. E tendo ao dispor alguns meios para tal. 

E quem não luta por isso é insensível, não tem um mínimo de empatia pelo próximo, não merece ocupar o posto que ocupa, nem ter a capacidade de poder dar alívio a alguém. Ou seja, prescrever um analgésico que  alivie a dor. E se não sabe com que linhas se cose que encaminhe o paciente para uma consulta de dor! Mas faça algo sem ser não ouvir e/ou não acreditar! E pare com a mania  de que não se devem receitar opiáceos! Porra! Tentem ter uma dor à séria que vão ver como se TENTA tudo para ter o mínimo alívio. E esse tentar tudo passa, não raras vezes, pelo suicídio só para conseguir o alívio no outro mundo que não se consegue neste. E garanto-vos que é uma ideia que passa pela cabeça quando a dor está no extremo e nada parece funcionar e ninguém parace saber ajudar!

 

Por isso, para quem é profissional de saúde peço que valorize as queixas que vos são ditas sem emitir juízos e tentem aliviar um pouco o sofrimento.

Se alguém que aqui vem é médico ou estuda medicina, portanto, tem em suas mãos a decisão da prescrição, ou se tem algum poder de decisão nesta área de dor, por favor lute! Lute pelo alívio dos outros! Porque viver não é só quando o coração bate mas também quando conseguimos estar, ser e sorrir. Tudo sem dor.

 

2 comentários

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    golimix 13.04.2015 20:46

    A minha dor é crónica e irreversível. É neuropática. E como eu há muita gente assim que não sabe como pode fazer os seus dias suportáveis. Há muita gente que recorre ao suicídio para ter alívio. A sério!
    E os nossos idosos, por exemplo, podiam ter os seus dias com mais alívio. Mas culturalmente aceita-se a dor, ou faz-se aceitar, quando se devia lutar pelo seu alívio.
    Mas nos restantes países Europeus, felizmente, a situação não é assim, e espero que Portugal não tarde a seguir essas pisadas.

    Obrigada pela visita
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