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Eu tento, mas meu tento não consegue!

Sabendo que nem sempre vou conseguir ir aos vossos espaços, mas nunca vos esquecendo e sempre tentando...

Eu tento, mas meu tento não consegue!

Sabendo que nem sempre vou conseguir ir aos vossos espaços, mas nunca vos esquecendo e sempre tentando...

Limitações

 

Não é novidade para quem segue este Blogue há algum tempo que tenho uma dor crónica. Este problema de saúde resultou de uma lesão traumática de dois nervos periféricos, o longo torácico direito e o supra-escapular, dois nomes que me trazem algumas limitações física, além da já referida dor. Não consigo carregar pesos, realizar muitas das tarefas domésticas, não movo o braço direito em todas as amplitudes, não consigo andar muito tempo a pé (devido aos grupos musculares dorso-lombares que começam a contrair e provocam mais dor), tenho falta de força, não consigo estar muito tempo de pé,.... e por aí vai.

 

Quem me conhece e assistiu à minha evolução sabe que tenho atingido gradualmente diversos patamares. Consegui passar de não mexer o braço para o mover de modo a poder realizar inúmeras tarefas. Além disso, o meu aspecto físico melhorou bastante. Consegui uns quilitos a mais e não tenho um fácies contraído e cansado fruto de uma dor que ainda não estava controlada. Mas após alguns tratamentos mais interventivos, além da parte terapêutica, tenho conseguido adaptar-me e ser o que consigo ser e fazer o que também consigo (às vezes até um nadica mais).

 

Consigo trabalhar, apesar de ter uma profissão que requer algumas tarefas que não consigo mesmo realizar, existem sempre muitas outras para as quais posso contribuir com algum valor. Felizmente posso contar com o apoio sempre constante da chefia! Claro está que tive que pedir horário parcial, mas o que interessa é que consigo contribuir para a sociedade! Consigo fazer algo. Agora digam-me, não deveria fazê-lo? Deveria fechar-me em casa a carpir as minhas dificuldades?

 

Hoje li um artigo no Jornal Público (e daí surge esta minha exteriorização do assunto) sobre pessoas que possuem algum tipo de incapacidade e são olhadas de lado, como se não bastasse o número incontável de barreiras com as quais têm que lidar. Posso falar que Portugal não está preparado para este tipo de minorias. E o estranho da questão é que muitas dessas mesmas barreiras começam nos serviços de saúde! Por exemplo, No Centro de Saúde da minha área as portas não possuem abertura automática. Eu não consigo abrir aquelas pesadas portas de vidro! E não é a primeira vez que vejo idosos com o mesmo problema, para não falar de pessoas que andem de muletas ou cadeiras de rodas! Cuja entrada no edifício se revela tarefa Hercúlea!

 

Outras barreiras estão na mente das pessoas. Eu, felizmente, não preciso de cadeira de rodas, não tenho esse tipo de incapacidade. Mas como não consigo andar muito tempo a pé se quiser visitar algo que se presupõe que tenha que andar muito tempo necessito dessa ajuda, sob pena de não poder mais andar sem dor extrema, que digo-vos não é pera doce, só quem a sente é que sabe como é. Porque é que não hei-de usar a cadeira, se essa ajuda existe?

 

Aborreci-me à séria com duas colegas de trabalho, porque uma delas deixou escapar que se necessitasse do apoio de uma cadeira de rodas, mesmo sendo como o meu caso, e principalmente no meu caso, não saíria para alguns locais sabendo que não poderia aguentar o caminho!

 

Sob esse ponto de vista eu nunca tería ido a Lanzarote, já que necessitei da cadeira de rodas para poder percorrer todo o aeroporto. Ao colocar-lhes essa questão, se eu não teria direito a ver alguns locais e a visitá-los? Perguntaram-me se eu não gostava antes de uma praínha sossegada onde não precisasse de andar muito! Homessa!!! Então as pessoas que têm certas incapacidades não podem ver mais nada senão praínhas sossegadas? Ah! e não serve uma qualquer, pois sabemos que muitas possuem as chamadas "barreiras arquitectónicas".

Quem tem limitações não pode sair de casa, não deve ir trabalhar, já que obrigam a reestruturação do serviço (embora eu saiba, e agradeça do fundo do coração, o trabalho que dou à minha chefe), não pode tentar ser mais pessoa? Não pode e não têm o direito a viver a usufruir do que os ditos "normais" podem usufruir!?

 

Tenho consciência de que posso dar muito pouco de mim, mas tudo o que dou julgo que tem valor. Que pode contribuir para a sociedade muito mais do que se eu ficasse enfiada entre quatro paredes e a gastar dinheiro em psiquiatras, já que ia dar em doida! Faz algum sentido que eu não possa usar de um instrumento como a cadeira de rodas para me deslocar quando dele necessito? Afinal ele foi pensado para isso, para que se possa viver e gostar da vida uma vez mais e de maneira diferente!

 

Será que se pode tentar, por uma vez, pensar e ver mais longe do que o que se vê?

Será que o mundo pode tentar focar-se em quem ainda quer ser e fazer? Em quem ainda tem muito para dar, apenas o fazendo de forma diferente!? Em quem tem muito para ver e visitar e acha que não é uma incapacidade, uma ajuda que necessite, que o deve impedir?

 

 

 

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