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Eu tento, mas meu tento não consegue!

Sabendo que nem sempre vou conseguir ir aos vossos espaços, mas nunca vos esquecendo e sempre tentando...

Eu tento, mas meu tento não consegue!

Sabendo que nem sempre vou conseguir ir aos vossos espaços, mas nunca vos esquecendo e sempre tentando...

O regresso

Cavalo3.jpeg

...Continuação daqui

 

Passaram oito anos desde que Afonso estivera ausente. Oito anos! O tempo passa mais rápido do que aquilo que pensamos... Contava já com 26 anos e estava de volta a Espanha! E isso se devia às cartas, cada vez mais frequentes, que o pai lhe enviava a pedir, ou melhor, a exigir, o seu regresso para cumprir com o prometido. Na última missiva,  dissera-lhe que ou ele regressava para o jantar de noivado com Isabel, já marcado para o início do próximo mês, ou ele iria buscá-lo pessoalmente!

 

Nada pois havia a fazer senão regressar. Tinha cumprido o plano de estudos estabelecido há já alguns anos e ficara a adiar o inevitável, sempre com a desculpa que estava a realizar contactos importantes para os negócios da família. Se bem que em parte isso fosse verdade, a principal razão era a sua fuga a um casamento arranjado!

 

Mas não iria só. Em sua companhia trazia um grande amigo que fizera na sua estadia por Madrid. Um companheiro das noites de folia. Sendo o amigo mais dado à vida boémia que o próprio Afonso, que lá teve as sua estorietas com jovens moçoilas mas nenhuma lhe resgatou o coração. Ainda bem. Senão tornaria a sua vida bem mais complicada.

 

Percorriam já a a orla de terrenos que pertenciam à sua família, depois de dias cansativos de viagem, quando uma forte cotovelada do amigo o tirou do dormitar induzido pelo chocalhar da carruagem. 

- Olha que belo cavalo! E a cavaleira não parece menos bela!

-Pfft! - atirou Afonso - Como é que sabes se a cavaleira é bela?! Está de costas! Só lhe vês o cabelo. Já o cavalo, parece, sim senhor, belo. E sorte a minha deve ser um dos nossos, já que está nos terrenos que pertencem a meu pai. Mas uma mulher a cavalo!? Não era costume ver-se disto por cá antes de eu partir!

- Só de ti para ligares mais ao cavalo do que à cavaleira - atirou zombateiro o amigo - mas espera aí! Será a "tua" fedelha? - Chutou o amigo. Tratavam-na assim sempre que era necessário referirem-se a ela.

Afonso não respondeu. Será? Por esta altura ela devia ter 18 anos, uma boa idade para montar a cavalo. Mas o pai deixaria que ela andasse assim, naqueles preparos, cabelo solto e em corrida com o que lhe parecia um excelente garanhão! Não... não podia ser a Isabel. Talvez a filha de Joaquim, o responsável pela estrebaria e de por todos os cavalos que possuíam, e certamente mais habituada às lides com estes animais.

 

Passadas um bom par de horas encontraram-se finalmente no salão de estar de seus pais, após um breve descanso e um bom banho.

Lá fora, Afonso, pode ainda ver o garanhão a ser levado para a estrebaria, cansado, possante e de pêlo brilhante e bem tratado. Um belo animal como supunha. Mas para estar ali só podia mesmo ter sido "ela", a fedelha, a montá-lo. Como é que ela tinha pulso para um animal daqueles?

 

Conversavam com o pai sobre as suas peripécias enquanto a mãe pegava em sua mão. Sua mãe, Catarina, uma doce mulher mas de um forte carácter que conseguia do pai quase tudo o que cismasse, era uma excelente mãe. Deixara-lhe um grande vazio a sua ausência na vida dele. Agora regressado, a proximidade física ajudava a apaziguar as saudades sentidas.

 

Entretanto ouvem-se passos fortes, e ela entra no salão. Lúcio, seu amigo, levantou-se de uma assentada assim que percebeu que uma mulher entrara na sala. Seu pai também já se encontrava de pé e o próprio Afonso levantou-se, lentamente, não tinha pressa, nem vontade, nenhuma de a encarar.

 

Isabel usava um vestido de cores suaves, que deixava à vista um belo colo, poucos adornos, apenas uns brincos, cabelo claro e solto com ligeira ondulação. Uma pele aveludada belos contornos físicos. Era sem dúvida uma bela mulher! Mas não eram os seus dotes físicos que chamavam a atenção mas sim a sua presença forte. Algo nada previsível para uma mulher! A única característica que mantinha, e que Afonso se lembrava, era o nariz pequeno e ligeiramente arrebitado, e que até lhe dava harmonia à sua bela face.

 

Aproximou-se deles sem qualquer perplexidade. Olhar decidido. Olhos de um castanho vivo, e que faziam prever estar-se na presença de alguém com agudeza mental. Cumprimentou-os. Disse algumas palavras a Afonso, que ele reagiu com a indiferença que pode. De seguida perguntou ao pai, tratanto-o com carinho e por "pai", como se fosse essa a sua condição.

- Pai  tens preferência por alguma melodia?

- Não minha querida hoje escolhe tu.

 

Sentou-se ao piano e tocou...seus dedos ágeis deslizando pelas teclas entorpecendo a mente de quem assistia.

 

 O amigo entretanto chegara-se a ele e sussurrava-lhe ao ouvido,

- Chama-lhe agora fedelha se tens coragem!

 

....

Continua...

 

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