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Eu tento, mas meu tento não consegue!

Sabendo que nem sempre vou conseguir ir aos vossos espaços, mas nunca vos esquecendo e sempre tentando...

Eu tento, mas meu tento não consegue!

Sabendo que nem sempre vou conseguir ir aos vossos espaços, mas nunca vos esquecendo e sempre tentando...

Profissões

 

perdidocirurgia.jpeg

 

 

Hoje falávamos sobre profissões com o meu filho, que no próximo ano terá que escolher uma das áreas disponíveis na Escola dele. Explicávamos algumas das saídas profissionais de cada área e calhou falar na profissão de cirurgião ao que ele respondeu de rajada.

- Isso nem pensar! Não posso!

- Pois filho, é muito sangue e entranhas, não é?

- Não. Não é por isso! É que quando eu tiro algo do sítio quando tento voltar a colocar no lugar nunca fica na mesma ou falta alguma coisa!! Imaginam o que é eu andar a operar e na hora de voltar a colocar tudo nos devidos lugares faltar alguma peça ou não conseguir encaixar tudo como estava!!!!??? Básicamente tenho jeito para dessarumar, mas para arrumar esqueçam!

 

 

 

A profissão dos masoquistas

Cumpre-se hoje o primeiro de dois dias de greve da classe de Enfermagem. Uma profissão mais do que desvalorizada no nosso país. Muito lutaram os Enfermeiros para chegarem onde chegaram. Lembro que passou a ser uma Licenciatura, a sociedade começou a vê-los com olhos de ver, porque até aí a opinião pública era de depreciativa. Enfermagem era considerado um curso menor e de segunda. Aliás penso que muitos ainda o consideram assim, infelizmente.

 

Muitos se esquecem de que quem está ao lado do utente, no internamento, 24 horas por dia é um Enfermeiro. Muitos se esquecem que é a mão deles que se segura quando se está na agonia da morte. Nunca percebi a desvalorização desta classe. Só podemos ser uma sociedade que está mesmo no buraco!

 

Nos cuidados de saúde Primários os Enfermeiros estão na linha da frente na promoção e educação para a saúde. É do Enfermeiro que, muitas vezes, o utente se sente mais próximo. E com a exigências colocadas aos Médicos de Família, os "faz tudo", a Enfermagem ajuda a segurar um barco difícil de navegar.

 

Neste momento as exigências são mais que muitas e as responsabilidades também. Para além de que não se pode esquecer o risco profissional inerente à profissão. E o que o Enfermeiro recebe ao fim do mês não condiz com o que trabalha e com a responsabilidade que tem nas costas.

 

Para mim o desgaste a que esta profissão esta sujeita deveria colocá-la fora do saco das 40 horas semanais. Mas o que na realidade acontece é que temos Enfermeiros com duas ou três folgas por mês! A realizarem cerca de 50 ou mais horas de trabalho! Existem serviços em que há profissionais a realizarem manhã seguida de tarde, já que faltam colegas. Turnos em que reduziram ao número de Enfermeiros. Há profissionais que não podem programar a sua vida, que deixaram de ter o direito de possuir, porque constantemente há mudanças nos seus turnos e são avidados em cima da hora o que vão fazer no dia seguinte. Isto consoante o número de utentes aumenta ou diminui no internamento! Não existe um número de enfermeiros certo para cada turno! E Enfermeiros são lá pessoas!? Podem lá ter vida privada! Tudo contra a lei! Mas essa para algumas Administrações  Hospitalares não existe, e o que prevalece é a lei da selva! E ,claro, a dos números que lhes interessem!

 

E se acontece um erro? Quem paga?

O profissional exausto, claro!

Tudo se tem aguentado por zelo profissional, por necessidade, e por masoquismo.

 

Sim masoquismo. Tudo me faz crer que a Enfermagem é uma classe de masoquistas. Sai-lhes do corpo e da alma o que fazem e não há quem veja e valorize isso!

 

Hoje é dia de greve... nada mudará... sexta feira quando tudo voltar ao normal continuar-se-á com a sensação de que nada vale a pena...

Mas ainda temos o direito de, através da greve, chamar à atenção para esta classe. Quanto a mim um despedimento colectivo, à semelhança do que já aconteceu noutro país, é que se ouvia o que a Enfermagem grita há muito tempo. Mas são pouco unidos e tudo continuará igual por causa disto. E a corda vai rebentar. Partinto para o mais fraco... sempre

 

E iremos sempre ouvir quando se diz

 

"Sou Enfermeira!"

 

"Puff! A sério?!"

 

Pois... profissão rasca e de segunda... Mas saibam que na Europa os Enfermeiros Portugueses são os mais procurados e que as médias de entrada não são nada baixas!

 

 

Aguentar o tranco

 

Admito não sou das melhores pessoas a lidar com a critica. Mas há críticas e críticas.

 

Tal como qualquer ser humano que ande neste mundo já fui criticada imensas vezes. Por norma, se me são dirigidas de forma assertiva e com intuito de me fazer evoluir, são bem aceites e colocadas numa gaveta especial do meu cérebro que está com a etiqueta de "crítica positiva". Incomoda-me quando não supero o motivo objecto de crítica, talvez por muitas vezes ser demasiado briosa, não perfeccionista, mas somente alguém que gosta de evoluir e se sente de algum modo frustrada se não o fizer. E não superar um obstáculo que me imponho a realizar não me agrada. Ter perfil de "I don't care", ou para os mais portugueses, "estou-me na tintas, se conseguir fixe senão porreiro também" seria algo que me pouparia a uns dias de trabalhos de cabeça e de mãos (muitas vezes).

 

Mas se há coisinha que me deixa a beira de uma ataque de fúria pronta a crivar o pescoço da "vítima" é, não a crítica, mas a dúvida! O duvidarem de algo que faço o melhor que sei, e na qual coloco todo o meu mais do que empenho.

 

Recentemente fui destacada para uma tarefa específica a qual fui treinada para fazer, que estudei para isso, informei-me sobre isso, e a qual tenho vindo a executar desde há uns dois anos e meio até ao presente. O que fariam se alguém, da mesma profissão que vós, mas sem experiência na área específica, vos dissesse que o que estavam a fazer não era assim? Que duvidasse do vosso acto? Hã?

 

O que faziam se o digno espécime dissesse uma, duas, três e quatro vezes (depois de lhe ter sido explicado o processo da actuação) que o que fizeram não estava bem, quando a vossa certeza é que ela não sabe e o que diz e estará lá, no fim  da filinha, das pessoas capazes de me vir dizer se aquele acto está ou não correcto?

 

Pois... bem me parecia. Mandavam o tal espécime ir catar macacos lá para os lados do Seringeti!! Foi o que eu fiz, e claro, nada bem recebido do outro lado. Parece que catar macacos não é uma tarefa que agrade a qualquer um...

 

E eu juro, Deus, e mais pessoas, são testemunhas que eu até aguentei três vezes calada!!!

 

Se há coisa que não sei fazer, apesar de já ter dominado muito essa minha faceta, é ser meiga quando me pisam os calos! Poderia, e como faço em grande partes das vezes, dar a merecida alfinetada em tom de brincadeira e a coisa seria dita e lá ficaria para que a outra parte digerisse quando quisesse. Pois já percebi que respostas com bom humor nem sempre são entendidas, mas cumprem na mesma o nosso objectivo, que é dizer o que se deve. Mas nem sempre se está de bom humor e com pachorra para dizer o que deve, como se deve, e com florzinhas e sorrisos. Foi mesmo:

"Se quiser certificar-se do que estou a fazer esteja à vontade, mas faz essa vez é para o dia todo que eu vou-me já embora!"

 

E hoje ainda soube que a menina ficou incomodada e que eu fui grossa... aghhhhh!!!!! Chama-se ao que eu não fiz "saber gerir conflitos", outra coisa que parece que me escapa volta e meia.

Pois, se calhar, fui grossa e olha que acho que não tentaria ser de outra maneira! {#emotions_dlg.brrrpt} Ahhh... soube-me bem! Agora vou-me esticar ali para o sofá outra vez!

 

Mais um dia...

 Imagem retirada da net, obrigada a quem a disponibilizou

 

 

Ok... mais um dia de. Eu sei. Mas não me apetecendo mesmo falar sobre nada que esteja relacionado com portas, coelhos ou futebol resta-me o "dia  de".

 

Faz hoje 193 anos que nasceu a "dama da lamparina" que viria a revolucionar uma profissão. Estou a falar de uma enfermeira, Florence Nightingale.

 

Uma profissão de origens milenares, uma referência a quem cuidava, protegia e nutria pessoas doentes, convalescentes, idosos e deficientes. Com o passar dos tempos o "cuidar", que garantia a manutenção da sobrevivência, e muitas vezes a vida, evoluiu e passou a surgir, ainda que como prática leiga, entre os séculos V e VIII como um acto desenvolvido sobretudo por religiosos.

 

Mas a "Enfermagem" tornou-se indigna e sem qualquer atrativo. Era considerada trabalho doméstico e perigava os padrões morais da altura. No entanto, e apesar de toda a visão negativa que lhe estava associada a sua evolução foi inevitável e Enfermagem nao tardou a ser vista como actividade profissional institucionalizada, e na sua grande maioria praticada por mulheres, ao que parece mais dotadas no acto de cuidar.

 

Começo a ver-se a Enfermagem como "uma ciência e uma arte", uma ciência uma vez que requer conhecimentos que necessitam de um vigoroso suporte técnico e ciêntifico, alheado à arte de cuidar.

 

Uma profissão exigente e que foi ganhando aos poucos a consideração merecida da sociedade, embora ainda associada a muitos preconceitos. Muitos se esquecem que os seus familiares internados estão 24 sobre 24 horas com enfermeiros e são estes que têm que os acompanhar. São os profissionais de saúde na primeira linha no contacto com os utentes. Estão e devem estar mais próximos da população. Mais do que uma profissão deve ser encarada como uma vocação. Não é fácil lidar com o sofrimento, a morte, a doença, e o infortúnio durante o dia e manter sempre um sorriso. Infelizmente temos muitos Enfermeiros que não sabem sorrir, estar e muito menos ser. Mas felizmente temos muitos que honram a farda que vestem, honram a profissão que escolheram.

 

Saber que aquela pessoa, naquele momento, mais do que uma técnica ou de um medicamento necessita de uma mão que lhe dê conforto e segurança ou tão simplesmente de um sorriso que lhe dê forças. Isso não é para qualquer um! Assim como não é o ter que travar a sua batalha interior quando confrontado com a sensação de impotência, de nada poder fazer... Mas um Enfermeiro deve ter ciente que muitas vezes pensando que nada se pode fazer há sempre algo que dignificará a vida, nem que seja na hora da sua morte. 

 

Nesta profissão ainda se esbarra muitas vezes com o preconceito. Ainda há bem pouco tempo conheci uma jovem cujo sonho era ser enfermeira, mas os seus familiares achavam que "era uma profissão de terceira", "não era dignificante". Ao que parece aos olhos de muitos ainda existe esse conceito, "Enfermagem não é uma profissão digna" e muitos ainda têm a imagem que os Enfermeiros são tão simplesmente executores de ordens médicas. As duas profissões se complementam, completam e entreajudam para o bem estar do Homem, promoção da saúde e prevenção da doença. E é na prevenção da doença que reside a grande força da Enfermagem e os grandes ganhos em saúde da sociedade.

 

Será o tempo de erradicar esses preconceitos e virá ainda o tempo em que Portugal e os seus Governos olharão para esta profissão com o olhar que eles merecem. Outros países Europeus já o fizeram e os seus povos só tiveram a lucrar. Tentando falar em politiquês, idioma que não domino, mais saúde significará menos absentismo e como tal maior produção.

 

 

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